Venezuela entrega controle de 20% de suas reservas de petról
A Assembleia Nacional venezuelana aprovou a cessão de 17 campos petrolíferos aos EUA, visando reduzir preços de combustíveis e limitar a influência russa e chin
A Assembleia Nacional venezuelana aprovou a cessão de 17 campos petrolíferos aos EUA, visando reduzir preços de combustíveis e limitar a influência russa e chinesa.
A Assembleia Nacional da Venezuela ratificou, nesta terça-feira, um pacto estratégico que transfere aos Estados Unidos a gestão de aproximadamente um quinto das reservas de petróleo do país. A medida consolida a influência de Washington sobre a administração venezuelana, estabelecida após a queda do governo de Nicolás Maduro em janeiro.
Representantes do governo norte-americano defenderam o acordo bilionário, argumentando que a iniciativa é fundamental para reduzir os preços dos combustíveis para os consumidores dos EUA e para conter o avanço da influência russa e chinesa na região. Apesar da justificativa, o pacto gera questionamentos, dado o nível de controle exercido por Washington sobre Caracas.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, desembarcou na Venezuela ainda na terça-feira, com a assinatura formal do documento prevista para esta quarta-feira. Espera-se que a petrolífera Chevron anuncie, simultaneamente, uma ampliação significativa de suas atividades no território venezuelano. O presidente Donald Trump, após reunir-se com líderes do setor, afirmou em sua rede social que o movimento visa garantir o domínio energético norte-americano diante da escalada de preços provocada pelo conflito com o Irã.
Em entrevista, o secretário de Estado, Marco Rubio, detalhou que uma empresa privada colabora com os EUA para a normalização econômica venezuelana. Segundo Rubio, o acordo envolve o Departamento de Defesa, que manterá uma conta especial para assumir a posse de parte dos ativos. O objetivo é aumentar a produção com investimento privado, substituindo a presença de empresas chinesas e russas que operavam os 17 campos em questão.
Em Caracas, a votação foi marcada por abstenções de parlamentares da oposição, que exigiram maior transparência sobre as cláusulas contratuais. O deputado Luis Emilio Rondón questionou a falta de acesso aos detalhes do acordo. Em contrapartida, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, defendeu a medida como uma forma de rentabilizar recursos que, de outra forma, permaneceriam subutilizariam o subsolo sem benefício para a população.
O ministro da Defesa, Gustavo González López, manifestou apoio irrestrito, classificando o acordo como um passo em direção à prosperidade e à paz, rejeitando a ideia de subordinação. O pacto concede aos EUA acesso preferencial aos campos e prevê a substituição de operadores estrangeiros por uma estrutura sob influência direta de Washington.
Um ponto de controvérsia é a participação de Alejandro Betancourt, empresário ligado a gestões anteriores e investigado por corrupção na estatal PDVSA. Betancourt lidera a North American Blue Energy Partners (NABEP), empresa na qual o governo dos EUA deterá 35% de participação. Autoridades norte-americanas justificaram a parceria descrevendo Betancourt como um gestor experiente, reconhecendo que a geopolítica exige, por vezes, lidar com figuras controversas.
Conforme os termos divulgados pela Casa Branca, os EUA terão o direito de adquirir 20% do petróleo extraído pela NABEP a preço de custo. A governança da empresa exigirá maioria de cidadãos norte-americanos no conselho de administração, conferindo a Washington poder de veto e controle efetivo sobre as operações.
A administração Trump sustenta que o controle norte-americano é necessário para erradicar a corrupção na indústria petrolífera local e interromper o envio de suprimentos para Cuba. A busca por combustíveis mais baratos é vista como uma prioridade estratégica antes das eleições intercalares de novembro, momento em que o Partido Republicano busca manter sua maioria no Congresso. Fonte: pt.euronews.com