União Europeia avalia novo aporte bilionário para reforçar d
Bruxelas analisa um pedido de Kiev para financiar a compra de mísseis Patriot, em meio à intensificação dos ataques russos e à escassez global de interceptadore
Bruxelas analisa um pedido de Kiev para financiar a compra de mísseis Patriot, em meio à intensificação dos ataques russos e à escassez global de interceptadores.
A Comissão Europeia está analisando uma nova solicitação de fundos feita pelo governo de Kiev, cujo valor chega à casa dos milhares de milhões de euros. O objetivo central do pedido é fortalecer o sistema de defesa aérea ucraniano, que enfrenta uma pressão crescente devido à intensificação das ofensivas russas. A prioridade de Kiev é a aquisição de interceptadores Patriot, tecnologia de fabricação norte-americana considerada essencial para neutralizar mísseis balísticos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou o recebimento da demanda durante uma coletiva de imprensa ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Segundo a dirigente, o montante solicitado visa cobrir custos com sistemas avançados, especificamente os modelos Patriot PAC-3. Para que o pagamento seja efetuado, os Estados-membros da União Europeia precisam aprovar uma exceção às regras do Empréstimo de Apoio à Ucrânia, que atualmente limita a 35% a parcela de recursos destinada a produtos de defesa fabricados fora do território europeu, a menos que não haja alternativa local.
Embora o valor exato não tenha sido divulgado publicamente para evitar pressões políticas sobre os países do bloco, fontes internas do executivo comunitário indicam que o montante é expressivo. Existe, inclusive, a possibilidade de que parte do financiamento seja compartilhada pela OTAN, embora as negociações sobre essa estrutura ainda estejam em curso. A única derrogação solicitada por Kiev neste momento refere-se especificamente aos sistemas Patriot.
O cenário de segurança na Ucrânia tornou-se crítico nas últimas semanas, com a Rússia disparando, em episódios isolados, até 30 mísseis balísticos em uma única noite. Essa cadência de ataques tem exaurido as reservas de interceptadores do país. A escassez é agravada por um mercado global restrito: a produção dos Patriot é lenta e as reservas mundiais foram severamente impactadas por quatro anos de conflito na Ucrânia e por tensões entre os Estados Unidos e o Irã no início do ano, que levaram nações do Golfo a utilizar seus próprios estoques.
Durante uma reunião informal de ministros da Defesa da UE na Irlanda, diplomatas europeus tentaram articular junto aos Estados-membros a transferência de estoques excedentes para a Ucrânia, mas a iniciativa ainda não gerou os resultados esperados. Von der Leyen demonstrou otimismo, afirmando que os países estão analisando o pedido e que o processo caminha em uma direção positiva.
Relatos da imprensa ucraniana sugerem que o pedido de autorização à Comissão Europeia gira em torno de 2 mil milhões de euros destinados especificamente aos mísseis Patriot. Contudo, especialistas apontam que o desafio principal não é apenas o financiamento, mas a disponibilidade física dos equipamentos. Em julho, o presidente Volodymyr Zelenskyy destacou que a Ucrânia necessitaria de, pelo menos, 140 interceptadores Patriot para repelir um ataque de 70 mísseis balísticos.
A Ucrânia já obteve anteriormente autorizações especiais para adquirir componentes chineses para drones e mísseis fabricados nos EUA, utilizando parte do empréstimo de 90 mil milhões de euros. A França, por sua vez, tem pressionado para que o bloco reduza a dependência de fornecedores externos. A expectativa é que os representantes nacionais discutam o novo pedido na próxima segunda-feira, com a meta de aprovação para a semana seguinte, condicionada à assinatura de contratos de aquisição.
Por fim, Von der Leyen mencionou o projeto Freya , um sistema de defesa pan-europeu liderado pela empresa ucraniana Fire Point, como uma alternativa estratégica para o futuro. A presidente reforçou que, desde junho, 8,5 mil milhões de euros do empréstimo total já foram destinados à compra de drones, mísseis e aviões de combate produzidos pela indústria europeia, visando reduzir as lacunas nas capacidades de defesa do continente.
Fonte: pt.euronews.com