União Europeia avalia novas sanções por deportação de menore
Bruxelas prepara novas medidas contra 27 cidadãos e entidades russas envolvidos na transferência forçada e doutrinação de crianças ucranianas.
Bruxelas prepara novas medidas contra 27 cidadãos e entidades russas envolvidos na transferência forçada e doutrinação de crianças ucranianas.
O corpo diplomático da União Europeia submeteu, nesta quarta-feira, uma nova proposta de sanções que visa 27 indivíduos e organizações da Rússia. O grupo é acusado de envolvimento direto na deportação forçada e na doutrinação ideológica de crianças ucranianas. A medida foi discutida por embaixadores do bloco durante o primeiro encontro oficial após o recesso de verão, com a expectativa de que a decisão seja formalizada até o final deste mês.
Esta não é a primeira iniciativa de Bruxelas para punir os responsáveis pelo sequestro, transferência ilegal e reeducação forçada de menores retirados de territórios ucranianos ocupados. Diversos nomes já foram incluídos em rodadas anteriores de sanções. Em maio, 16 pessoas e sete entidades foram adicionadas à lista negra durante um evento de alto nível da Coligação Internacional para o Regresso das Crianças Ucranianas. Um novo encontro para debater o tema está agendado para os dias 28 e 29 de setembro, em Toronto, no Canadá.
Após a apresentação da proposta, o processo entra agora em uma fase de ajustes técnicos. O objetivo é assegurar que a fundamentação jurídica das sanções seja robusta o suficiente para evitar possíveis contestações em tribunais internacionais. Paralelamente, o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) compartilhou com os Estados-membros um levantamento contendo 1.600 nomes de indivíduos e entidades que colaboram diretamente com o esforço bélico russo, sinalizando uma mudança estratégica que prioriza alvos específicos em vez de amplos pacotes setoriais.
Os dados sobre o impacto dessa política russa variam significativamente. Enquanto o governo da Ucrânia confirmou a deportação de mais de 20.500 crianças, o Humanitarian Research Lab da Universidade de Yale sugere que o total pode atingir 35 mil. Por outro lado, autoridades de Moscou chegaram a mencionar números que alcançariam 700 mil menores. O Institute for the Study of War (ISW), sediado nos Estados Unidos, aponta que a verificação precisa desses números é praticamente inviável no cenário atual.
Relatos indicam que autoridades instaladas pela Rússia em áreas ocupadas chegaram a criar um catálogo digital para promover a adoção coerciva de crianças ucranianas. O sistema permitia que interessados filtrassem os menores por critérios como idade, gênero e características físicas, como cor de olhos e cabelos. Algumas crianças eram descritas com base em traços de comportamento, sendo classificadas como “calmas” ou “obedientes”.
O processo de repatriação desses menores é extremamente complexo e pode levar anos, desde a identificação inicial até o retorno efetivo ao país de origem. Até o momento, a maioria dos casos de sucesso na devolução de crianças foi intermediada por países terceiros, com destaque para a atuação do Catar, da África do Sul e do Vaticano.
Em março, as Nações Unidas classificaram as ações de deportação e transferência forçada de crianças ucranianas para o território russo como crimes de guerra e crimes contra a humanidade, reforçando a pressão internacional sobre o Kremlin.
Fonte: pt.euronews.com