Rússia sinaliza ofensiva contra rede elétrica ucraniana; tra
Moscou promete ataques em larga escala contra a infraestrutura energética da Ucrânia. Enquanto isso, o número de vítimas fatais em Myla, após bombardeio, chega a 38.
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou que está organizando uma série de ataques de grande magnitude contra o sistema de energia da Ucrânia. Segundo o governo russo, a ofensiva é uma medida de retaliação pelas ações militares de Kiev contra instalações civis, energéticas e de combustíveis dentro do território da Federação Russa.
O comunicado, divulgado através do Telegram, gerou preocupações imediatas sobre a possibilidade de um cenário similar ao do inverno anterior, quando bombardeios sistemáticos contra usinas elétricas ucranianas deixaram milhões de cidadãos sem acesso a eletricidade e aquecimento durante períodos de frio extremo.
A escalada de hostilidades ocorre em um momento em que ambos os países intensificaram o uso de armas de longo alcance. Os alvos recorrentes incluem portos, refinarias, navios e depósitos de suprimentos, resultando em um aumento constante no número de baixas civis em ambos os lados do conflito.
No âmbito local, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou que o saldo de mortos após o ataque com drones contra um depósito de munições em Myla, no distrito de Bucha, subiu para 38. O incidente, ocorrido no último sábado, também deixou 20 feridos e quatro pessoas continuam desaparecidas.
Zelensky destacou, por meio de suas redes sociais, que a área atingida apresenta um alto nível de contaminação. Equipes de socorro seguem trabalhando para controlar focos de incêndio remanescentes, enquanto especialistas em desativação de explosivos realizam a limpeza minuciosa do terreno.
A detonação inicial no depósito provocou uma série de explosões secundárias que atingiram áreas residenciais vizinhas. De acordo com autoridades regionais, cerca de 50 edificações foram danificadas, o que forçou a evacuação de mais de 380 moradores da região.
Entre as vítimas confirmadas está Taras Didych, que ocupava o cargo de presidente da câmara da localidade vizinha de Dmytrivka. Este episódio é classificado como um dos mais letais ocorridos nos arredores de Kiev desde o início da invasão russa, que já dura mais de quatro anos.
Diante da gravidade da situação, a Procuradoria da Ucrânia iniciou uma investigação para apurar possíveis casos de negligência criminal. O foco da apuração é entender por que materiais explosivos estavam sendo armazenados em uma instalação situada tão próxima a zonas residenciais.
O ataque em Myla marcou o encerramento de três dias consecutivos de bombardeios aéreos russos, configurando uma das sequências de ataques mais prolongadas desde a primavera. O comando militar russo afirmou ter atingido, além do depósito, uma fábrica de cimento e amianto em Kiev, sob a alegação de que o local servia para esconder explosivos e abrigar uma linha de produção de drones.
Dados da força aérea ucraniana indicam que, entre o final de sábado e o início de domingo, a Rússia disparou dois mísseis balísticos Iskander-M e utilizou cerca de 130 drones de diferentes modelos.
Em resposta, a Ucrânia também intensificou suas ações contra o território russo. Autoridades locais na Rússia confirmaram que um ataque de drones atingiu a refinaria de Kirishi, na região de Leninegrado. O local é a segunda maior unidade de processamento de petróleo do país, com capacidade anual de 20 milhões de toneladas de crude, sendo vital para a produção de diesel e combustível de aviação.
A estratégia de Kiev de atacar refinarias, estações de bombeamento e depósitos de armazenamento visa, segundo o governo ucraniano, exercer pressão econômica sobre Moscou para tentar forçar o fim das hostilidades.
Fonte: pt.euronews.com