Presidente do TCE defende “choque de gestão” para enfrentar
Sérgio Ricardo, presidente do TCE-MT, aponta que a solução para o saneamento em Várzea Grande exige investimentos bilionários e articulação política contínua.
Sérgio Ricardo, presidente do TCE-MT, aponta que a solução para o saneamento em Várzea Grande exige investimentos bilionários e articulação política contínua.
Ao abordar o histórico colapso no abastecimento de água e no sistema de esgoto de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu a implementação de um rigoroso "choque de gestão". Segundo o conselheiro, a reversão do atual cenário de precariedade depende de aportes financeiros na casa dos bilhões de reais, além de uma articulação política robusta para viabilizar os recursos necessários.
O posicionamento foi manifestado durante uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (12), no Ginásio Fiotão. O encontro teve como foco a discussão sobre a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem para a concessão dos serviços de água no município. Sérgio Ricardo ressaltou que sua presença no evento transcende o cargo institucional, motivada pelo compromisso com o futuro da segunda maior cidade do estado.
O diagnóstico apresentado pelo conselheiro aponta para um abandono histórico. Atualmente, Várzea Grande enfrenta índices críticos, com a perda de quase 60% da água produzida e uma cobertura de esgoto que não atinge 29%. Para o presidente do TCE, a universalização dos serviços exige uma mobilização que ultrapasse as esferas locais, buscando apoio em âmbito nacional.
"Cerca de 71% da população de Várzea Grande não possui acesso adequado ao saneamento. Resolver esse gargalo não será possível com milhões; estamos falando de bilhões de reais", afirmou. De acordo com o conselheiro, estudos técnicos estimam investimentos entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões, valor que pode ser ainda maior devido à quase inexistência de infraestrutura básica funcional na cidade.
Os dados citados baseiam-se em um levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta metas de execução até 2060. Para alcançar a universalização de 90% até 2033, o plano prevê a expansão da rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros. Sérgio Ricardo enfatizou a necessidade de intervenções profundas: "É preciso escavar a cidade inteira. A rede atual está deteriorada e rompida, impedindo a distribuição correta da água, mesmo onde ela chega".
A audiência pública representa a sétima etapa do cronograma da Prefeitura. O próximo passo será o envio do PMSB à Câmara Municipal para análise e posterior transformação em lei. A prefeita Flávia Moretti destacou a importância desse trâmite: "Com o diagnóstico sendo encaminhado ao Legislativo, ganhamos segurança jurídica. É fundamental que o saneamento se torne uma política de Estado, perene e independente de quem esteja na gestão municipal".
A precariedade do sistema impacta diretamente a rotina dos moradores. Segundo o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são atendidos pela rede de água, e 73,9% da população relata sofrer com desabastecimento constante. O aposentado Benedito da Costa, morador do bairro Mangabeira do bairro Mangabeira, relatou a dependência de caminhões-pipa: "Pagamos pela água, mas dependemos de entregas semanais. Dividimos cada gota com a família. Pedimos que a prefeita resolva esse problema urgente".
A busca por soluções é impulsionada por uma mesa técnica do TCE-MT, instaurada em dezembro de 2025 por solicitação da Prefeitura. O grupo trabalha para resolver impasses jurídicos e técnicos envolvendo o Consórcio Lumevix, responsável pela Sub-Bacia 02 e pela Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria. Contratadas em 2016, as obras acumulam quase nove anos de paralisação devido a disputas judiciais, entraves ambientais e problemas financeiros.
Em paralelo, a Prefeitura de Várzea Grande informou que avançou para mais de 82% na conclusão das obras de cinco reservatórios de água, visando ampliar a capacidade de armazenamento e distribuição para a população.
Fonte: jornaldematogrosso.com.br