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Prefeitura de cidade com 3 mil habitantes paga R$ 900 mil po

Contratação de Ana Castela por Nova Belém (MG) chama atenção pelo valor elevado, que consome quase 9% dos repasses anuais do FPM recebidos pelo município.

Contratação de Ana Castela por Nova Belém (MG) chama atenção pelo valor elevado, que consome quase 9% dos repasses anuais do FPM recebidos pelo município.

A pequena cidade de Nova Belém, em Minas Gerais, que conta com uma população de apenas 3.151 habitantes, tornou-se centro de um debate sobre gastos públicos ao firmar um contrato de R$ 900 mil para a realização de um show da cantora Ana Castela. O montante chama a atenção pela desproporção em relação à receita municipal: o valor do cachê representa 8,7% de todo o montante de R$ 10,34 milhões que a prefeitura recebeu via Fundo de Participação dos Municípios (FPM) ao longo de 2026, conforme dados extraídos do Tesouro Transparente.

Na prática, isso significa que, para cada R$ 100 que entraram nos cofres da prefeitura através do FPM, quase R$ 9 foram destinados exclusivamente para o pagamento da apresentação da artista. O FPM é uma das fontes de receita mais vitais para a manutenção das administrações municipais brasileiras, sendo utilizado para cobrir despesas essenciais do dia a dia das cidades.

Este caso integra um levantamento mais amplo que identificou 26 contratos firmados por diversas prefeituras com a cantora ao longo de 2026, totalizando R$ 22,68 milhões em cachês. Os dados foram extraídos do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e revelam uma distribuição de shows por várias regiões do país.

A análise dos contratos mostra que a maioria das cidades que contratou a artista é gerida por prefeitos ligados a partidos de centro ou de direita. O Partido Social Democrático (PSD) aparece no topo da lista de contratações, seguido pelo Progressistas (PP) e pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Vale ressaltar que Nova Belém é administrada pelo prefeito Valdeci Dornelas, filiado ao PSD.

Além dos valores identificados no PNCP, outro contrato de destaque envolve a cidade de São Fidélis, no Rio de Janeiro. O município pagará R$ 850 mil para que a cantora se apresente na Expo São Fidélis. Neste caso, o pagamento será viabilizado por uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão, solicitada pela deputada federal Dani Cunha (PL-RJ) por meio do programa “Turismo com Música”, da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados.

A prefeitura de São Fidélis, sob gestão do Partido Liberal (PL), defendeu a contratação afirmando que o recurso possui destinação carimbada, sendo impossível utilizá-lo para outras finalidades que não a promoção de eventos turísticos. A expectativa é que o show, que marca a festa do padroeiro local, reúna cerca de 4 mil espectadores.

O tema das contratações ganhou ainda mais visibilidade após a repercussão de uma imagem de Ana Castela ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante a Festa do Peão de Barretos, em São Paulo. Na ocasião, a cantora posou sorridente com o parlamentar e fez o gesto com as mãos representando o número 22, associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao PL.

A interação da artista com a publicação do deputado, incluindo o uso de emojis de fogo nos comentários, gerou uma onda de críticas nas redes sociais. A reação foi tão intensa que alguns perfis dedicados a acompanhar a carreira da cantora anunciaram o encerramento de suas atividades. Em nota, a equipe do portal Info Ana Castela afirmou que não compactua com discursos ou atitudes que contrariem seus princípios, marcando o descontentamento de parte da base de fãs da sertaneja após o episódio político.

Fonte: midianews.com.br