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Pivetta ataca adversários pelo Dnit, mas mantém Pagot na campanha e evita falar sobre histórico do aliado

Ex-diretor comandou o Dnit nos governos Lula e Dilma, foi condenado em primeira instância por improbidade em caso envolvendo contratos do órgão e mantém relação política documentada com Pivetta há anos

O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos), que já acusou políticos que “mandavam no Dnit” de usar o órgão para “roubar o povo mato-grossense”, mantém no núcleo de sua campanha Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) condenado em primeira instância por improbidade administrativa em um caso envolvendo contratos do órgão.

Questionado sobre o histórico de Pagot e sobre manter na própria campanha quem comandou o Dnit enquanto critica adversários por relações com o departamento, Pivetta não respondeu aos casos mencionados. Disse não ter conhecimento de histórico envolvendo o aliado e, na sequência, passou para outro assunto.

Pagot não é uma aproximação recente de Pivetta. Os dois têm relações políticas documentadas há anos e já apareciam juntos justamente quando o atual integrante da campanha comandava o Dnit.

Em outubro de 2009, Pivetta, então deputado estadual, e Pagot estiveram juntos em Lucas do Rio Verde para acompanhar obras e discutir a Travessia Urbana e a duplicação da BR-163.

Em janeiro de 2010, Pivetta integrou novamente uma comitiva liderada por Pagot. O grupo percorreu a BR-163, saindo de Lucas do Rio Verde em direção a Santarém, no Pará, para acompanhar obras de manutenção, restauração e pavimentação da rodovia.

Antes disso, os dois também integraram o mesmo grupo político em Mato Grosso. Pagot ocupou cargos de primeiro escalão nos governos Blairo Maggi, entre eles as secretarias de Infraestrutura, Casa Civil e Educação. Pivetta também fez parte do governo Maggi, como secretário de Desenvolvimento Rural.

A relação continuou nos últimos anos. Em abril de 2024, Pivetta e Pagot participaram da Parecis SuperAgro, em Campo Novo do Parecis, em uma agenda sobre desenvolvimento, agronegócio e infraestrutura.

Em 2026, Pagot passou a integrar diretamente o projeto eleitoral de Pivetta e foi incorporado ao núcleo político da campanha à reeleição.

A presença do ex-diretor ganha peso diante do discurso adotado pelo próprio governador.

Em março, durante evento em Rondonópolis, Pivetta afirmou que políticos que “mandavam no Dnit” teriam utilizado o departamento para “roubar o povo mato-grossense”. Não citou Pagot.

Pagot, porém, ocupou formalmente o comando do Dnit entre 2007 e 2011.

Indicado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), permaneceu no cargo nos primeiros meses da gestão Dilma Rousseff e deixou o departamento em 2011, durante a crise que atingiu o Ministério dos Transportes após denúncias de corrupção e irregularidades envolvendo estruturas ligadas à pasta. Pagot negou participação em esquema de corrupção e recebimento de propina.

Em outubro de 2025, a Justiça Federal em Rondônia condenou Pagot, em primeira instância, por atos de improbidade administrativa relacionados a irregularidades em contratos para obras da BR-429 durante sua passagem pelo Dnit.

O processo envolve os contratos nº 674/2009 e nº 675/2009, firmados entre o Dnit e a Fundação Ricardo Franco. A sentença apontou irregularidades como dispensa indevida de licitação, contratação apesar de parecer jurídico contrário, pagamentos sem comprovação adequada e terceirização do objeto. A decisão não é definitiva.

Pagot também já foi responsabilizado pelo Tribunal de Contas da União. Em processo relacionado às obras do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, recebeu multa de R$ 20 mil. O valor foi posteriormente recolhido e o TCU concedeu quitação.

Outro episódio foi reconhecido pelo próprio Pagot. Em depoimento à CPMI do Cachoeira, em 2012, ele admitiu ter agido com “falta de ética” ao procurar empresas para solicitar doações à campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010.

Pagot afirmou ter procurado entre 30 e 40 empresas e estimou que as contribuições poderiam chegar a aproximadamente R$ 6 milhões. Ele sustentou que as doações eram legais e negou qualquer contrapartida envolvendo contratos ou benefícios do Dnit.

O ex-diretor também teve decisões favoráveis em outros processos. Uma condenação por improbidade relacionada à licitação de um posto policial na MT-251 foi posteriormente afastada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Na esfera criminal relacionada ao mesmo caso, Pagot foi absolvido.

Hoje, Pagot está novamente ao lado de Pivetta, desta vez dentro da estrutura montada para a disputa pelo Governo de Mato Grosso.

A relação entre os dois atravessa o governo Blairo Maggi, agendas conjuntas durante o período em que Pagot comandava o Dnit, encontros públicos nos últimos anos e chega à campanha eleitoral de 2026.

Questionado sobre o histórico do aliado que mantém em sua equipe enquanto utiliza o Dnit para atacar adversários, Pivetta não respondeu aos casos apresentados e mudou de assunto.