Aconteceu Notícias

PF investiga irmão de Silval Barbosa por suposta fraude para

Antônio da Cunha Barbosa Filho é suspeito de omitir processos criminais ao solicitar registro de atirador esportivo; ele foi alvo da Operação Guardiões de Fogo.

Antônio da Cunha Barbosa Filho é suspeito de omitir processos criminais ao solicitar registro de atirador esportivo; ele foi alvo da Operação Guardiões de Fogo.

O empresário Antônio da Cunha Barbosa Filho, irmão do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Federal sob a suspeita de ter omitido a existência de inquéritos e ações criminais em seu desfavor no momento em que solicitou o registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). A medida foi cumprida durante a Operação Guardiões de Fogo, deflagrada nesta quinta-feira (20), em Cuiabá, que incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Conforme os levantamentos realizados pela PF, a irregularidade teria ocorrido durante o trâmite para a concessão do Certificado de Registro (CR), documento emitido em novembro de 2021. A autoridade policial aponta que o investigado teria apresentado uma declaração inidônea, acompanhada de certidões que, embora fossem documentos autênticos, não faziam menção às investigações policiais ou aos processos judiciais que já tramitavam contra ele.

O histórico jurídico de Antônio da Cunha Barbosa Filho é extenso e está diretamente ligado aos escândalos de corrupção que marcaram o período em que seu irmão esteve à frente do Executivo estadual, entre os anos de 2010 e 2014. Segundo as apurações, o empresário atuava como um representante de Silval em tratativas ilícitas, auxiliando na arrecadação e na circulação de valores que teriam origem em esquemas de propina.

Embora tenha firmado um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2017 — posteriormente homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) —, no qual se comprometeu a devolver cerca de R$ 3,4 milhões aos cofres públicos, Antônio continua respondendo a diversas ações criminais. Entre elas, destaca-se um processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Nesse processo específico, a denúncia aponta a cobrança de R$ 8 milhões em propina para o grupo político do ex-governador, em troca da concessão de benefícios fiscais. Além de Antônio e Silval Barbosa, figuram como réus na mesma ação os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, conhecido como “Chico Lima”, e o empresário Milton Luís Bellicanta.

Adicionalmente, Antônio enfrenta um processo na Justiça Eleitoral de Mato Grosso que investiga a prática de “caixa 2” durante a campanha eleitoral de 2010. Além dele e do ex-governador, também respondem a essa ação os empresários Wanderley Facheti Torres, Jairo Francisco Miotto Ferreira e Rafael Yamada Torres, bem como os ex-secretários estaduais Alaor Alvelos Zeferino de Paula, Arnaldo Alves de Souza Neto e Cinésio Nunes de Oliveira, além de Cleber José de Oliveira.

Outro desdobramento jurídico que envolve o nome do empresário é uma ação criminal derivada da Operação Bereré. O caso apura um complexo esquema de fraudes, desvios de verbas e lavagem de dinheiro que teria operado dentro do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT). Segundo as investigações, o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 30 milhões entre os anos de 2009 e 2015.

Fonte: midianews.com.br