Peça teatral 'Dicke e o Labirinto' estreia em Mato Grosso ce
O espetáculo da Cia Cena Onze homenageia o escritor Ricardo Guilherme Dicke, unindo teatro, artes plásticas e música clássica em uma montagem imersiva.
O espetáculo da Cia Cena Onze homenageia o escritor Ricardo Guilherme Dicke, unindo teatro, artes plásticas e música clássica em uma montagem imersiva.
A Cia de Teatro Cena Onze confirmou o lançamento nacional de sua mais recente produção, intitulada “Dicke e o Labirinto” . A estreia está agendada para o dia 3 de setembro, às 19h30, nas dependências da Sematur, localizada no município de Cáceres, a cerca de 217 quilômetros de Cuiabá.
O projeto artístico funciona como uma imersão detalhada na trajetória e na produção intelectual de Ricardo Guilherme Dicke, renomado filósofo e escritor brasileiro. Nascido em 1936, na região de Vila Raizama, em Chapada dos Guimarães, e falecido em 2008, Dicke é amplamente reconhecido como um dos nomes mais expressivos da literatura nacional.
A relevância de seu trabalho foi atestada ainda em vida por ícones da literatura, a exemplo de Hilda Hilst e Guimarães Rosa. Até os dias atuais, a vasta obra deixada pelo autor permanece como um campo fértil para pesquisas e análises dentro do meio acadêmico.
No que diz respeito à estrutura dramática, a peça coloca o protagonista em uma situação limite: o leito de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde ele atravessa seus derradeiros instantes de vida. É nesse contexto de fragilidade que o personagem se vê inserido em um labirinto, conduzido por uma voz enigmática que o faz reencontrar figuras retiradas de seus próprios livros.
O diretor geral da montagem, Flávio Ferreira, explica que a dramaturgia foi construída com base em fragmentos de obras fundamentais, como O Deus de Caim , Caeira , Cerimônias do Esquecimento , A Toada do Esquecido e Madona dos Páramos . Segundo ele, o espetáculo busca oferecer uma perspectiva sobre a densidade literária de Dicke, que explorou a vida e a morte no sertão mato-grossense através de personagens que transcendem as barreiras do tempo e do espaço.
A encenação foi pensada para proporcionar ao público uma vivência sensorial e intimista. O projeto de iluminação foi concebido estrategicamente para guiar os espectadores por seus próprios labirintos imaginários durante a performance.
Para compor a atmosfera sonora, a produção optou por utilizar composições de Johann Sebastian Bach, artista que figurava entre as preferências musicais do escritor homenageado.
Um dos diferenciais estéticos da peça reside na cenografia e no figurino. Ambos foram desenvolvidos com inspiração direta nas pinturas produzidas pelo próprio Ricardo Guilherme Dicke, evidenciando sua faceta menos conhecida como artista plástico.
Fonte: sonoticias.com.br