Inteligência artificial deve servir humanos, alerta Papa
O Papa Leão XIV discursou na UNESCO sobre os riscos da inteligência artificial e a importância da ética. Confira agora os detalhes deste alerta.
A inteligência artificial deve atuar estritamente em benefício da humanidade, evitando transformar-se em um mecanismo de dominação ou injustiça social. O alerta foi feito pelo Papa Leão XIV durante um discurso na sede da UNESCO, em Paris, como parte de sua visita oficial de quatro dias à França.
Riscos da inteligência artificial e desumanização
O pontífice destacou que o uso desenfreado de novas tecnologias pode empobrecer as relações humanas. Ele classificou esse fenômeno como um processo de desumanização, criticando a obsessão das sociedades modernas pela produtividade. Segundo o líder religioso, julgar indivíduos apenas pelo critério da eficiência ameaça a dignidade humana, marginalizando aqueles considerados menos produtivos.
O tema é central no atual pontificado. Em maio, o Papa publicou a encíclica Magnifica humanitas , um documento extenso que detalha os perigos da IA sem controle. Ele defende, portanto, a implementação de uma supervisão regulatória mais rigorosa para proteger a sociedade.
Durante sua fala, o Papa enfatizou pontos cruciais para o debate contemporâneo:
A necessidade de salvaguardas específicas para proteger crianças contra a exploração digital. O papel da sabedoria no progresso científico para evitar que a tecnologia se torne uma arma. A importância do diálogo internacional para superar crises de eficácia em instituições globais. O debate sobre a proteção de menores no ambiente virtual é crescente na Europa. Medidas como a proibição de celulares em escolas e a proposta do "Kids Act" pela Comissão Europeia, que visa restringir o acesso de menores de 13 anos às redes sociais, ganham destaque na agenda política.
O Papa também refletiu sobre a paz mundial, citando o lema da UNESCO sobre a construção de defesas nas mentes humanas. Em um cenário marcado por conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, ele reforçou que o progresso científico, quando desprovido de sabedoria, pode resultar em destruição.
Sobre a cooperação internacional, o pontífice reconheceu que instituições globais enfrentam desafios de eficácia. Contudo, ele apelou por maior confiança entre as nações, argumentando que o diálogo sincero supera as diferenças. Esse posicionamento ocorre em um momento de tensões, especialmente após o anúncio da retirada dos Estados Unidos da UNESCO, prevista para dezembro de 2026.
Mais cedo, o presidente Emmanuel Macron recebeu o Papa no Palácio do Eliseu. O encontro reuniu autoridades diplomáticas e representantes religiosos. Na ocasião, o pontífice reafirmou a posição da Igreja sobre o direito à vida, definindo-o como o alicerce fundamental de todos os direitos humanos. O tema é sensível na França, que recentemente consagrou o aborto na Constituição e debateu a morte assistida.
Por fim, o Papa reiterou a oposição do Vaticano ao uso de armas nucleares, rejeitando a ideia de que a dissuasão seja uma solução viável. Após os compromissos, o líder seguiu para a catedral de Notre-Dame e para uma vigília com jovens no Stade de France. Para acompanhar mais desdobramentos, acesse a nossa categoria de notícias ou confira as últimas notícias .
Fonte: pt.euronews.com