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Operação Solo Sagrado desarticula rede que movimentou R$ 20

A Polícia Federal investiga esquema de extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, que movimentou milhões e utilizou serviços digitais par

A Polícia Federal investiga esquema de extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, que movimentou milhões e utilizou serviços digitais para lavagem.

A Polícia Federal (PF) iniciou nesta terça-feira (18) a Operação Solo Sagrado , uma ofensiva voltada a desmantelar uma organização criminosa que operava na extração e venda clandestina de ouro na Terra Indígena Sararé, localizada em Mato Grosso. O objetivo central do grupo era inserir o minério extraído ilegalmente no mercado formal, conferindo uma aparência de legalidade ao produto.

Conforme as apurações da PF, o braço financeiro da quadrilha movimentou uma cifra superior a R$ 20 milhões no período compreendido entre 2022 e 2025. O esquema contava com uma rede complexa, que incluía o uso de instituições de pagamento e empresas de serviços digitais para movimentar cerca de R$ 3,5 milhões, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento dos recursos e ocultar a origem e o destino final do dinheiro.

A operação é fruto de um trabalho integrado entre a Polícia Federal, a Receita Federal do Brasil e o Ministério Público Federal. A colaboração entre os órgãos permitiu um cruzamento detalhado de dados policiais, bancários, fiscais e telemáticos, expondo uma estrutura criminosa robusta que financiava desde a logística do garimpo até a comercialização final do ouro.

Como resultado das investigações, a Justiça determinou o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão, além de um mandado de prisão preventiva. Também foram autorizadas medidas de sequestro de bens e valores, bem como o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, visando descapitalizar a organização e interromper o fluxo financeiro ilícito.

A dimensão da capacidade operacional do grupo foi constatada durante uma fiscalização in loco na Terra Indígena Sararé. Na ocasião, as autoridades flagraram uma escavadeira hidráulica, vinculada a uma das empresas sob investigação, operando diretamente na extração ilegal de minério. O maquinário foi apreendido e, seguindo os protocolos, inutilizado no local para impedir a continuidade da degradação ambiental.

Além da apreensão do equipamento, a fiscalização resultou na aplicação de uma multa administrativa que ultrapassa o valor de R$ 3 milhões, refletindo o rigor das autoridades no combate aos danos ambientais causados pela atividade garimpeira irregular na reserva indígena.

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em curso. Todo o material apreendido durante a operação passará por uma análise minuciosa por parte dos peritos da PF e dos órgãos parceiros. A expectativa é que, a partir desse exame, seja possível identificar outros integrantes da rede criminosa e, eventualmente, solicitar novas medidas judiciais contra os responsáveis pelo esquema.

A operação reforça o compromisso das forças de segurança em coibir crimes ambientais e financeiros que impactam diretamente as terras protegidas no estado de Mato Grosso.

Fonte: rdnews.com.br