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O peso do endividamento empresarial e a desigualdade na rela

Dados da Serasa revelam que micro e pequenos empreendedores enfrentam um ciclo vicioso de dívidas bancárias, agravado pela falta de equilíbrio nas negociações c

Dados da Serasa revelam que micro e pequenos empreendedores enfrentam um ciclo vicioso de dívidas bancárias, agravado pela falta de equilíbrio nas negociações com instituições.

Se o planejamento financeiro da sua empresa se transformou em uma maratona exaustiva para quitar juros e parcelas de renegociações, saiba que essa realidade é compartilhada por muitos gestores e, frequentemente, a responsabilidade não reside exclusivamente na sua administração. Em 18 de junho de 2026, a Serasa Experian divulgou um levantamento sobre o endividamento corporativo no Brasil, evidenciando que o problema pode estar mais atrelado à gestão das dívidas do que à incapacidade de pagamento em si.

Para quem atua na área de passivo bancário, esse cenário não traz surpresas. O maior obstáculo enfrentado pelo micro e pequeno empreendedor é a dificuldade de estabelecer um diálogo equilibrado com as instituições financeiras. Existe uma assimetria clara: enquanto multinacionais possuem maior poder de barganha, o pequeno empresário acaba sendo prejudicado pela disparidade de forças, um desequilíbrio que, muitas vezes, não encontra o devido amparo na Justiça, que tende a favorecer o sistema bancário.

É fundamental destacar que, na prática, o que ocorre entre o pequeno empresário e o banco não é uma negociação, mas sim a imposição de condições unilaterais. O empreendedor raramente encontra opções flexíveis de juros ou alternativas reais para aliviar o passivo. O resultado é um sistema onde, independentemente do acordo, a instituição financeira sempre amplia seus ganhos. Embora o lucro bancário seja legítimo, é questionável que ele atinja recordes sucessivos enquanto empresas e cidadãos se afundam em dívidas cada vez maiores.

Essa disparidade fica evidente ao observarmos grandes companhias em recuperação judicial, como o Grupo Marabraz e a Casas Bahia, cujos maiores credores são, invariavelmente, os bancos. O mesmo padrão se repete no segmento de micro e pequenas empresas, conforme apontado pela Serasa. O ciclo é previsível: diante do aperto no caixa, o empresário recorre a um empréstimo, que inicialmente alivia a pressão, mas logo se torna um fardo insustentável, forçando a busca por novos créditos para quitar os anteriores.

O levantamento da Serasa indica que, em média, cada empresa endividada acumula mais de sete débitos em atraso, confirmando a existência desse ciclo vicioso. No cotidiano jurídico, é comum atender empresários que já perderam a referência do valor original de suas dívidas, pois a sucessão de renegociações impostas pelos bancos acabou por soterrar os contratos iniciais.

Muitas vezes, o desespero para manter o nome limpo leva o empreendedor a aceitar parcelas que parecem comportáveis no curto prazo, sem perceber que essa estratégia mal estruturada drena todo o fluxo de caixa e o lucro operacional. Negociar com instituições financeiras exige, acima de tudo, profissionalismo, paciência e uma estratégia bem definida, pois o futuro do negócio e de seus colaboradores está em jogo.

O fechamento de uma empresa devido ao sufocamento financeiro gera um impacto social profundo, resultando em desemprego e vulnerabilidade para diversas famílias. O mercado bancário, por sua vez, mostra-se implacável com quem tenta resolver problemas complexos sob pressão. Proteger o fluxo de caixa contra abusos e buscar limites razoáveis nas negociações não é apenas uma medida de gestão, mas um dever de responsabilidade com a sustentabilidade do empreendimento.

Carlos Henrique Ghiorzi é advogado, especialista em dívidas bancárias, direito tributário e empresarial.

Fonte: midianews.com.br