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O cenário das assinaturas digitais na União Europeia: dispar

Dados do Eurostat revelam que quase um terço dos europeus paga por streaming, mas o consumo varia drasticamente entre os países do bloco e enfrenta batalhas jud

Dados do Eurostat revelam que quase um terço dos europeus paga por streaming, mas o consumo varia drasticamente entre os países do bloco e enfrenta batalhas judiciais.

Seja para acompanhar maratonas de séries no fim de semana ou assistir a partidas de futebol ao vivo, o hábito de pagar por conteúdos digitais tornou-se uma realidade para uma parcela significativa da população europeia. De acordo com informações recentes do Eurostat, cerca de 32,7% dos usuários de internet na União Europeia mantinham, em 2025, ao menos uma assinatura paga para serviços de streaming de vídeo e esportes.

Entretanto, a disposição dos cidadãos em investir nessas plataformas apresenta variações geográficas expressivas. O levantamento aponta que a Irlanda e a Dinamarca ocupam o topo da lista, com taxas de adesão de 63,9% e 61,1%, respectivamente. Logo atrás, os Países Baixos registram 59,2% de usuários pagantes em serviços como Amazon Prime e Disney+.

Em contrapartida, o cenário é bem diferente em outras nações do bloco. A Bulgária apresenta o índice mais baixo de adoção, com apenas 9,3% dos internautas pagando por esse tipo de conteúdo. O ranking das menores taxas é completado por Eslovênia (13,7%), Letônia (16,7%) e Lituânia (17,4%), evidenciando um abismo digital que persiste entre os Estados-membros.

O estudo também detalha o comportamento do consumidor em outros segmentos digitais. As plataformas de áudio, que incluem serviços de música e podcasts como Spotify e YouTube Premium, contam com 23% de adesão entre os usuários europeus. Já o consumo de conteúdos de leitura, como jornais digitais e revistas, atrai 7,2% do público, enquanto os serviços de jogos em nuvem, a exemplo do Xbox Game Pass, fecham a lista com 6,1%.

Apesar da consolidação dessas ferramentas no cotidiano das famílias, o mercado de assinaturas tem enfrentado turbulências recentes. O descontentamento dos usuários com as políticas de preços das plataformas gerou uma onda de contestações judiciais em diversos países europeus.

Nos Países Baixos, uma associação de defesa do consumidor move uma ação contra a Netflix, questionando aumentos que, acumulados desde 2017, chegam a 75%. A entidade estima que o valor total de possíveis indenizações possa atingir 673 milhões de euros.

Esse movimento não é isolado. Em abril, um tribunal em Roma declarou ilegais os reajustes de preços da Netflix na Itália, decisão que a empresa ainda contesta judicialmente. Situações similares ocorrem na Alemanha, onde tribunais já proferiram sentenças favoráveis aos consumidores, enquanto processos seguem em tramitação na Espanha e um caso na Áustria foi encerrado mediante um acordo de compensação financeira.

O panorama atual revela, portanto, um mercado europeu profundamente fragmentado, onde a popularidade das plataformas de streaming convive com um crescente escrutínio legal sobre as práticas comerciais das gigantes do setor.

Fonte: pt.euronews.com