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Justiça de MT impõe restrições severas a influenciadora inve

Natiele Aparecida teve passaporte retido e está proibida de usar redes sociais após operação da Polícia Civil que apura lavagem de dinheiro e apostas ilegais.

Natiele Aparecida teve passaporte retido e está proibida de usar redes sociais após operação da Polícia Civil que apura lavagem de dinheiro e apostas ilegais.

A influenciadora digital Natiele Aparecida tornou-se alvo de medidas cautelares rigorosas impostas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso. No âmbito da Operação Engodo Digital, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (18), a investigada foi proibida de utilizar plataformas de redes sociais, de manter qualquer tipo de contato com outros envolvidos no esquema e de sair do território nacional, tendo inclusive seu passaporte recolhido pelas autoridades.

As informações sobre a operação foram confirmadas pelo delegado Eugênio Rudy, que coordena as investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop. A ação policial, que ocorreu simultaneamente em Sorriso e em cidades do estado de São Paulo, apura a participação da influenciadora em um grupo criminoso voltado à exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.

Segundo o delegado, a restrição ao uso de ferramentas como Instagram, TikTok e Facebook é fundamental, uma vez que tais canais eram utilizados para a promoção das plataformas de apostas. O descumprimento dessas ordens judiciais pode resultar na decretação imediata da prisão preventiva da influenciadora. Além disso, ela deverá comparecer mensalmente ao juízo para prestar esclarecimentos sobre suas atividades profissionais e rotina.

A investigação aponta que Natiele ocupava um papel central na estrutura do esquema. Mesmo poucas horas antes da deflagração da operação, a influenciadora ainda utilizava suas redes para incentivar seguidores a participarem de jogos com promessas de ganhos rápidos. Ela também gerenciava, em parceria com outra investigada, grupos em aplicativos de mensagens para disseminar links de apostas de cota fixa que não possuem autorização legal.

O volume financeiro movimentado pelo grupo é expressivo. Entre 2023 e 2025, foram identificadas transações superiores a R$ 28 milhões sem a devida declaração, com fortes indícios de que o montante provinha da exploração de jogos ilegais. Os recursos transitavam por contas de empresas como Cash Pay Meios de Pagamento, All Bet Entretenimento, Bytech e HKP Pay, sendo posteriormente redistribuídos entre familiares e colaboradores da influenciadora.

Além da movimentação financeira, a polícia apurou a criação de empresas de fachada e simulações societárias, especialmente no setor de estética, para dissimular a origem ilícita dos valores. A vida luxuosa da investigada, marcada por viagens e eventos suntuosos, era frequentemente exibida em suas redes sociais. Em 2024, ela chegou a gastar mais de R$ 500 mil em uma festa temática realizada em um castelo em Sorriso, evento que celebrou sua capa na Revista Sexy e contou com decoração de 12 mil rosas.

A operação cumpriu, ao todo, 56 ordens judiciais, incluindo 14 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias. As medidas foram determinadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Sinop e abrangeram endereços em Mato Grosso e São Paulo, incluindo São Bernardo do Campo.

A Polícia Civil de Mato Grosso também analisa possíveis conexões entre este caso e a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril. Naquela ocasião, foram presos nomes conhecidos como MC Ryan SP, Poze do Rodo e o responsável pela página Choquei. A investigação aponta que uma fintech, que servia como núcleo financeiro para plataformas clandestinas e viabilizava a remessa de valores ao exterior, também foi alvo de medidas de busca e apreensão e sequestro de bens nesta nova fase da Operação Engodo Digital.

Fonte: midianews.com.br