Aconteceu Notícias

Jovens migrantes podem trazer familiares para a Espanha ao a

Especialista em direito de estrangeiros esclarece os trâmites legais para a regularização de menores migrantes e as condições reais para o reagrupamento familia

Especialista em direito de estrangeiros esclarece os trâmites legais para a regularização de menores migrantes e as condições reais para o reagrupamento familiar na Espanha.

O debate sobre a situação de menores migrantes na Espanha ganhou novo fôlego após a recente entrada expressiva de pessoas em Ceuta. Desde o final de julho, o Ministério do Interior espanhol contabilizou 2.168 menores na região, que enfrenta uma pressão migratória persistente. A transição desses jovens para a vida adulta e a possibilidade de buscarem o reagrupamento familiar geram incertezas jurídicas e administrativas significativas.

A advogada Glenda Fermín, especialista em direito de estrangeiros, esclarece que o destino desses jovens ao completarem 18 anos depende de sua situação documental. Caso o menor já possua documentação, o procedimento padrão envolve uma renovação que pode ser solicitada até 60 dias antes da maioridade ou em um prazo de até 90 dias após o aniversário. Para aqueles que não estão documentados, abre-se uma janela de 90 dias após o fim da tutela estatal para que busquem uma autorização de residência, processo que, segundo a especialista, pode ser viabilizado mediante a apresentação de um contrato de trabalho.

Embora o direito ao reagrupamento familiar esteja previsto na legislação espanhola, Fermín enfatiza que ele não é automático. O solicitante deve cumprir critérios rigorosos, que incluem a comprovação de meios econômicos, a posse de uma autorização de residência válida por pelo menos um ano e a apresentação de um relatório que ateste as condições de habitabilidade da residência onde a família será acolhida.

As regras variam conforme o grau de parentesco. O reagrupamento é permitido para cônjuges e descendentes, enquanto para ascendentes a exigência é mais severa, sendo necessário comprovar uma residência de longa duração de cinco anos no país. Em cenários excepcionais, como casos de doenças graves, existem brechas humanitárias, embora a advogada ressalte que a carga probatória exigida é elevada e a obtenção desses vistos é complexa devido à natureza subjetiva da lei.

Sobre a possibilidade de um jovem trazer diversos familiares, Fermín esclarece que a lei impõe limites claros. Embora seja possível reunir os parentes mais próximos, o processo não permite uma cadeia infinita de reagrupamentos. Além disso, a advogada observa que, no caso de filhos, a situação é pouco comum, dado que jovens que acabaram de completar 18 anos raramente possuem descendentes.

A competência para gerir esses pedidos, após a maioridade, recai sobre os escritórios de estrangeiros vinculados à subdelegação do governo na localidade onde o imigrante reside legalmente. Fermín demonstra ceticismo quanto a mudanças positivas na política migratória, criticando o novo Regulamento de Retorno, que considera mais restritivo e prejudicial aos direitos humanos do que normas anteriores.

A especialista também denuncia o que chama de "desumanização e instrumentalização" da pauta migratória. Segundo ela, ao retirar a identidade e o rosto dos migrantes no discurso público, torna-se mais simples fomentar políticas contrárias à imigração. Ela critica a lentidão administrativa em Ceuta, onde o presidente local, Juan Jesús Vivas, aponta que apenas 25 a 30 processos de devolução são processados diariamente, sugerindo que o Estado possui capacidade para ampliar o pessoal e agilizar os trâmites.

Paralelamente, o Ministério da Juventude e da Infância planeja transferir 500 meninas migrantes desacompanhadas de Ceuta para a península ibérica. O plano, que conta com a colaboração de organizações de proteção à infância, busca realizar o remanejamento sem a necessidade de transferir a tutela para as comunidades autônomas. Fermín questiona a manobra, sugerindo que o objetivo seria contornar os controles habituais das regiões na distribuição dos menores.

O futuro desses jovens permanece incerto, oscilando entre a possibilidade de repatriação, acolhimento definitivo ou transferência para o continente. Enquanto as decisões administrativas não são tomadas, a cidade de Ceuta segue sob forte pressão, testando os limites de sua infraestrutura e a capacidade de resposta das autoridades espanholas diante de um fluxo migratório que, conforme alerta a especialista, exige vontade política para ser gerido de forma eficaz.

Fonte: pt.euronews.com