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Há quase oito anos no Governo de MT, Pivetta admite: “Tem muita gente que não me conhece ainda”

Após mais de sete anos como vice-governador, candidato diz que usará os debates para “se fazer conhecer”; em campanha, também aponta problemas básicos nos munic

Após mais de sete anos como vice-governador, candidato diz que usará os debates para “se fazer conhecer”; em campanha, também aponta problemas básicos nos municípios que administrou ao lado de Mauro Mendes

Depois de mais de sete anos como vice-governador e às vésperas de completar oito anos no Governo de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) reconheceu uma dificuldade em plena campanha eleitoral: ainda há muita gente no Estado que não o conhece.

Candidato à reeleição, Pivetta confirmou nesta terça-feira (25) que pretende participar de todos os debates da campanha e afirmou que usará esses espaços justamente para ampliar sua exposição diante dos eleitores.

“Eu pretendo participar de todos os debates, sim, até porque eu tenho que me apresentar pro povo mato-grossense, tem muita gente que não me conhece ainda”, declarou. Pivetta foi eleito vice-governador na chapa de Mauro Mendes em 2018, tomou posse em janeiro de 2019 e foi reeleito em 2022. Permaneceu por mais de sete anos como número dois do Executivo, assumiu interinamente o Palácio Paiaguás em diferentes ocasiões e chegou ao comando definitivo do Estado em 2026.

Também não é um estreante na política. Antes de chegar ao governo estadual, foi prefeito de Lucas do Rio Verde por vários mandatos e deputado estadual.

Por isso, a própria declaração abre uma questão política: se depois de quase oito anos no Governo de Mato Grosso Pivetta ainda precisa se apresentar aos mato-grossenses, por que todo esse tempo no poder não foi suficiente para aproximá-lo de parte da população?

O candidato reconhece que pretende usar justamente a campanha para diminuir essa distância.

“Eu vou usar essas oportunidades pra me fazer conhecer e fazer com que minhas ideias, minhas propostas sejam divulgadas e sejam conhecidas pelo meu povo mato-grossense”, afirmou. A declaração ganha outro componente quando confrontada com os discursos que Pivetta vem fazendo durante a campanha.

Ao percorrer municípios, o candidato passou a destacar problemas locais e deficiências de infraestrutura. Em Várzea Grande, falou sobre dificuldades enfrentadas pela cidade. Já no lançamento de sua campanha, em Lucas do Rio Verde, afirmou que cidades mato-grossenses são “maltratadas” e apontou carências básicas, entre elas ciclovias e calçadas.

O diagnóstico pode fazer parte das propostas para um novo mandato, mas também provoca uma cobrança sobre os dois mandatos dos quais Pivetta participou.

Se esses problemas já existiam nos municípios, o que foi feito durante os mais de sete anos em que ele esteve na vice-governadoria para enfrentá-los?

Pivetta ocupou o segundo cargo mais importante do Executivo estadual durante praticamente dois mandatos completos. Esteve no núcleo político e administrativo do governo e participou de uma gestão com atuação nos 142 municípios de Mato Grosso.

Agora, durante a campanha para permanecer no Palácio Paiaguás, problemas de infraestrutura das cidades passaram a ocupar espaço em seus discursos.

É justamente fora dos grandes centros políticos que a declaração de Pivetta sobre ainda ser desconhecido ganha peso.

Mato Grosso também é formado pela pequena cidade, pelo distrito, pela comunidade rural e pelos bairros mais afastados. É onde está a “Dona Maria” que não acompanha diariamente as agendas do Palácio Paiaguás, mas conhece o governo principalmente pelo serviço público e pela presença do Estado que chegam até sua comunidade.

Pivetta não disse onde estão as pessoas que ainda não o conhecem nem apresentou dados que permitam afirmar que esse desconhecimento esteja concentrado no interior.

O fato objetivo é o reconhecimento feito pelo próprio candidato:

“tem muita gente que não me conhece ainda”. A declaração ocorreu após Pivetta ser questionado sobre as ausências de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro debate presidencial, realizado pela Band no domingo (23).

Ele evitou criticar os dois.

“Não vou ficar falando das decisões de outras pessoas, outros candidatos”, respondeu. Sobre a própria participação, porém, garantiu que pretende comparecer a todos os debates. Para Pivetta, serão oportunidades de apresentar seu nome, ideias e propostas aos eleitores.

A estratégia pode aumentar sua exposição durante a campanha. Mas também deixa duas questões que antecedem a eleição de 2026.

Depois de quase oito anos no Governo de Mato Grosso, por que Pivetta ainda precisa se apresentar a parte dos mato-grossenses?

E, se problemas básicos dos municípios agora ocupam seus discursos de campanha, por que essas mesmas carências continuam sendo apresentadas como desafios depois de mais de sete anos dele no governo?

As respostas deverão fazer parte do debate que o próprio Pivetta promete não evitar. Um