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Estudo projeta necessidade de qualificar 210 mil profissiona

O Mapa do Trabalho Industrial aponta que o crescimento do setor exigirá a formação de novos talentos e a atualização de competências de quem já está no mercado.

O Mapa do Trabalho Industrial aponta que o crescimento do setor exigirá a formação de novos talentos e a atualização de competências de quem já está no mercado.

O setor industrial de Mato Grosso vive um momento de expansão significativa, o que gera um impacto direto na busca por mão de obra capacitada para atender às novas exigências do mercado. De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial, desenvolvido pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI), vinculado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), o estado deverá demandar a qualificação de 210 mil profissionais entre 2026 e 2027.

Desse contingente total, a projeção indica que 31 mil vagas serão destinadas a novos profissionais, enquanto 179 mil trabalhadores que já atuam no setor precisarão passar por processos de atualização de suas competências técnicas. Esse cenário é corroborado por informações do Anuário da Indústria de Mato Grosso, produzido pelo Observatório da Indústria do Sistema Fiemt, que destaca o peso do setor na economia local.

Atualmente, a indústria responde por 15% do Produto Interno Bruto (PIB) mato-grossense e emprega cerca de 203,5 mil trabalhadores formais. O dinamismo do setor ficou evidente em junho, quando a produção industrial do estado registrou um avanço de 1,6% em relação a maio, conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. O desempenho foi superior à média nacional, que apresentou uma retração de 1,8% no mesmo período.

Para Fernanda Campos, diretora regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai MT), o crescimento industrial exige um compromisso contínuo com a formação. Ela ressalta que investir em qualificação é essencial tanto para abrir portas a novos trabalhadores quanto para garantir que as empresas encontrem talentos capazes de elevar a produtividade e sustentar o desenvolvimento econômico do estado.

O levantamento do ONI detalha que a necessidade de qualificação abrange diversas áreas estratégicas. O setor de Logística e Transporte lidera a demanda, com 57 mil profissionais, seguido pela Agropecuária (24 mil), Construção (21 mil), Manutenção e Reparação (20 mil) e Alimentos e Bebidas (18 mil). Esses números refletem a estrutura produtiva de Mato Grosso, onde a indústria de transformação detém 57% das atividades e a construção civil, 26%.

Geograficamente, a região intermediária de Cuiabá se destaca como o principal polo, concentrando 42% de todo o emprego industrial do estado. Vanessa Gasch, gerente de Desenvolvimento Industrial do Sistema Fiemt, observa que a diversificação e o crescimento da indústria local tornam a atualização profissional um pilar indispensável para a competitividade das empresas mato-grossenses.

A maior parte da demanda projetada, focada nos 179 mil trabalhadores que já possuem vínculo empregatício, reflete a necessidade de adaptação constante às novas tecnologias e processos produtivos. Segundo Paullyanne Araújo, gerente de Educação Profissional e Superior do Senai MT, o modelo de ensino precisa ser ágil e conectado à realidade das fábricas.

“A educação profissional precisa acompanhar a velocidade com que as ocupações se transformam” , pontua Araújo. Ela enfatiza que o treinamento moderno vai além da execução de tarefas básicas, focando no domínio de novas tecnologias e na capacidade de adaptação a ambientes de trabalho em constante mutação.

O Mapa do Trabalho Industrial serve como uma ferramenta estratégica para o planejamento das ofertas de cursos do Senai. A metodologia utilizada leva em conta as projeções de emprego formal, a reposição natural de postos de trabalho e a necessidade de requalificação contínua, garantindo que a oferta educacional esteja alinhada com as demandas reais do setor produtivo estadual.

Fonte: sonoticias.com.br