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Entenda como a fáscia influencia dores e a rigidez corporal

A fáscia, tecido que conecta estruturas do corpo, tem ganhado destaque como possível causa de dores sem lesões aparentes. Especialistas alertam sobre a necessid

A fáscia, tecido que conecta estruturas do corpo, tem ganhado destaque como possível causa de dores sem lesões aparentes. Especialistas alertam sobre a necessidade de avaliação.

É cada vez mais comum que pessoas relatem acordar com o corpo rígido, enfrentem limitações de mobilidade ao longo do dia ou sintam dores que migram de um ponto para outro. Frequentemente, esses pacientes passam por exames de imagem que não apontam lesões estruturais, gerando a falsa impressão de que não há nada de errado. É nesse cenário, marcado pela lacuna entre a queixa persistente e resultados clínicos normais, que a fáscia tem despertado o interesse de especialistas.

A fáscia é um tecido conjuntivo que forma uma rede contínua, envolvendo e conectando músculos, ossos, nervos, vasos sanguíneos e órgãos. Ela desempenha um papel fundamental na sustentação do organismo e na transmissão de forças durante a movimentação. Segundo a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, essa interconexão explica por que um desconforto pode surgir no pescoço, irradiar para os ombros e atingir a lombar sem que haja uma lesão isolada em cada local.

"O corpo não funciona em blocos isolados. Quando uma região perde a mobilidade ou a capacidade de absorver carga, outras partes precisam compensar. Por isso, a dor nem sempre se manifesta exatamente no ponto onde o problema se originou" , esclarece a profissional. O impacto desse tipo de dor é global: dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 1,71 bilhão de pessoas convivem com dores musculoesqueléticas e restrições físicas, sendo a lombalgia a principal causa de incapacidade no mundo.

No Brasil, o estudo longitudinal ELSA-Brasil revelou um cenário preocupante: 94,9% dos participantes relataram sentir dor em um período de 12 meses, com 55,1% apresentando quadros crônicos. Em 25,4% dos casos, a dor musculoesquelética foi classificada como incapacitante. Embora a fáscia possa estar envolvida em mecanismos de rigidez, ela não é a causa única de todos os desconfortos. Uma avaliação clínica completa deve considerar músculos, articulações, nervos, níveis de estresse, qualidade do sono e o histórico de vida do paciente.

A especialista alerta que a fáscia é apenas uma peça do quebra-cabeça. "Não se deve usar esse tecido para justificar qualquer dor. Quando os sintomas persistem, o passo correto é buscar uma investigação profissional e não substituir o diagnóstico médico por explicações simplificadas" , pontua Milazzotto. O sedentarismo e a rotina moderna, com longas horas diante do computador e movimentos repetitivos, agravam a sensação de rigidez, pois o corpo perde a capacidade de se adaptar a diferentes demandas.

A falta de variação postural faz com que certas estruturas sejam sobrecarregadas enquanto outras ficam inativas, gerando compensações. A fáscia, que deveria permitir o deslizamento suave entre as camadas de tecidos, pode sofrer alterações como fibrose ou inflamação. Contudo, a ciência ainda investiga a extensão dessas mudanças, e tratamentos focados exclusivamente na fáscia possuem evidências limitadas.

Muitas pessoas recorrem ao alongamento como solução imediata, mas a prática nem sempre resolve a raiz do problema. Às vezes, o corpo precisa de fortalecimento, melhora na coordenação ou apenas pausas estratégicas durante o dia. "Nem toda rigidez significa encurtamento muscular. Muitas vezes, o corpo está tentando proteger uma área ou lidar com uma carga que superou sua capacidade de adaptação" , explica a fisioterapeuta.

Para tratar a rigidez de forma eficaz, a recomendação é uma avaliação funcional que observe como o indivíduo se move e quais tarefas desencadeiam o desconforto. A estratégia mais recomendada envolve manter o corpo ativo de maneira progressiva, combinando exercícios de força, mobilidade variada e recuperação adequada. Não existe uma fórmula mágica ou técnica única para "destravar" o corpo.

Por fim, é essencial estar atento a sinais de alerta que exigem atenção médica imediata, como perda de força, formigamento, dor noturna intensa, febre, traumas recentes ou alterações no controle urinário e intestinal. A popularização do tema sobre a fáscia é positiva se incentivar um olhar mais amplo sobre a saúde, mas torna-se perigosa se levar ao autodiagnóstico. O objetivo final deve ser sempre entender por que o organismo perdeu sua função e buscar a recuperação de forma segura e integrada. Fonte: rdnews.com.br