DISCREPÂNCIA ENTRE PESQUISAS LEVANTA DÚVIDAS SOBRE NOVO LEVANTAMENTO DO VERITÁ EM MATO GROSSO
Resultado coloca Pivetta na liderança para o Governo e Medeiros à frente de Mauro Mendes no Senado, em cenário que contrasta com a maioria das pesquisas recente
Resultado coloca Pivetta na liderança para o Governo e Medeiros à frente de Mauro Mendes no Senado, em cenário que contrasta com a maioria das pesquisas recentes
A nova pesquisa do Instituto Veritá desta quinta-feira (03/09) sobre a disputa eleitoral em Mato Grosso apresenta um cenário que contrasta significativamente com os resultados de outros levantamentos recentes realizados no Estado. O instituto coloca Otaviano Pivetta na liderança da corrida ao Governo, com 32,1%, contra 28,8% de Wellington Fagundes. O resultado chama atenção porque nenhuma das principais pesquisas divulgadas recentemente havia apontado uma vantagem de Pivetta sobre Wellington nessa proporção, levantando questionamentos sobre os critérios e a metodologia utilizados para chegar a essa fotografia eleitoral.
A discrepância também aparece na disputa pelo Senado. Na pesquisa do Veritá, José Medeiros surge à frente de Mauro Mendes, resultado que também contrasta com os demais levantamentos. Em pesquisas recentes, Mauro aparece na liderança, enquanto Medeiros figura em terceiro ou até quarto lugar, dependendo do cenário. A inversão é ainda mais significativa porque o levantamento do Veritá chega a colocar Medeiros à frente do ex-governador na estimulada, uma mudança que não encontra correspondência na série de pesquisas divulgadas por outros institutos.
Diante disso, a principal questão não é simplesmente contestar um resultado, mas entender por que uma única pesquisa apresenta um cenário tão diferente daquele identificado pelo conjunto dos demais levantamentos. Uma mudança dessa magnitude exigiria explicações sobre amostragem, perfil dos entrevistados, distribuição regional, metodologia de coleta e critérios utilizados para representar o eleitorado mato-grossense. Afinal, uma pesquisa isolada não pode ser automaticamente apresentada como retrato definitivo de uma eleição que ainda está em construção.
O histórico recente do próprio Veritá também recomenda cautela na interpretação dos números. Segundo reportagem do Metrópoles, o instituto teve pesquisas proibidas de serem divulgadas pela Justiça Eleitoral em diferentes estados em 2026, em decisões que apontaram questionamentos relacionados à composição das amostras, transparência da coleta e critérios metodológicos. Em Sergipe e no Rio Grande do Norte, por exemplo, tribunais eleitorais identificaram diferenças relevantes entre o perfil dos entrevistados e os dados oficiais do eleitorado. O instituto contesta as decisões e defende a regularidade de sua metodologia.
Por isso, o resultado divulgado em Mato Grosso deve ser analisado com responsabilidade e comparado com o conjunto das pesquisas, e não tratado isoladamente como uma suposta “virada” eleitoral. Se Pivetta e Medeiros realmente passaram a liderar, é preciso que essa mudança apareça de forma consistente em diferentes levantamentos e metodologias. Até que isso aconteça, o mais adequado é tratar os números do Veritá como uma fotografia isolada, que merece ser conhecida, mas também questionada e confrontada com os demais dados disponíveis ao eleitor mato-grossense.