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Crescimento populacional em Mato Grosso: entenda a

O crescimento populacional em Mato Grosso é desigual. Confira como o esvaziamento de cidades afeta a economia e a gestão pública no estado.

O crescimento populacional em Mato Grosso apresenta um cenário de contrastes profundos, conforme revelam os dados mais recentes do IBGE. Enquanto polos regionais expandem sua base demográfica, diversas cidades enfrentam um esvaziamento contínuo. Esse fenômeno cria, na prática, dois estados distintos dentro da mesma unidade federativa.

Araguainha, situada no sudeste mato-grossense, ilustra bem essa realidade. Com apenas 989 moradores, o município figura entre os menores do Brasil. O levantamento estatístico confirmou, mais uma vez, a redução de sua população, um movimento silencioso que se repete em várias outras localidades do estado.

Desigualdade no crescimento populacional em Mato Grosso

Por outro lado, municípios como Campo Verde exibem um vigor econômico refletido no aumento de residentes. A cidade registrou um crescimento de 5,94% em doze meses, liderando o ranking estadual. Outros exemplos de expansão incluem:

Vale de São Domingos, com alta de 5,22%; Querência, que cresceu 4,08%; Lucas do Rio Verde, com 3,65%; Nova Mutum, registrando 3,48%. Mato Grosso atingiu a marca de 3.950.330 habitantes, consolidando o terceiro maior crescimento do país. A taxa de 1,46% supera significativamente a média nacional de 0,37%. Contudo, essa expansão não ocorre de forma homogênea em todo o território.

Dos 142 municípios do estado, 90 apresentaram crescimento, enquanto 50 registraram queda no número de moradores. Somadas, essas cidades perderam 4.580 habitantes. Portanto, um terço do território estadual enfrenta um processo de esvaziamento populacional, mesmo com o estado batendo recordes.

É fundamental compreender que o avanço do agronegócio não atrai mão de obra para o campo. A agricultura moderna é intensiva em tecnologia e capital, não em trabalhadores braçais. Dessa forma, o setor atua como um motor de urbanização, drenando a população das cidades vizinhas para os centros que oferecem serviços e infraestrutura.

Essa dinâmica gera um desafio federativo complexo. Municípios que perdem habitantes mantêm custos fixos elevados, como a manutenção de prefeituras e câmaras. Além disso, a perda de população impacta diretamente o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que utiliza faixas populacionais para definir repasses.

A redução na arrecadação ocorre justamente quando a cidade envelhece e torna-se mais dependente de recursos públicos. Embora existam mecanismos de amortecimento criados pelo Congresso, eles apenas distribuem o impacto no tempo, sem resolver a falta de autonomia financeira. Para mais informações sobre o cenário estadual, acompanhe as últimas notícias .

Historicamente, Mato Grosso foi moldado por ondas migratórias, como a ocupação da BR-163 nos anos 1970. Hoje, a migração é interna e desenha um mapa com centros dinâmicos e periferias em declínio. O grande dilema administrativo atual reside em como gerir cidades que, embora não desapareçam, sustentam estruturas desenhadas para uma população que já partiu.

Fonte: rdnews.com.br