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Cerca de 60 detentos com tuberculose são isolados na Peniten

Sindicato aponta superlotação na maior unidade prisional do estado como principal causa da disseminação da tuberculose entre os mais de 2 mil detentos.

Sindicato aponta superlotação na maior unidade prisional do estado como principal causa da disseminação da tuberculose entre os mais de 2 mil detentos.

A Penitenciária Central do Estado (PCE), localizada em Cuiabá, enfrenta um cenário crítico de saúde pública. De acordo com informações do Sindicato dos Servidores Penitenciários de Mato Grosso (Sindspen), aproximadamente 60 detentos foram diagnosticados com tuberculose e estão sendo submetidos a tratamento médico.

O sindicato aponta a superlotação como o fator determinante para a propagação da enfermidade dentro da unidade. Segundo a entidade, a estrutura prisional, que abriga atualmente mais de 2 mil homens, apresenta celas com ocupação muito acima da capacidade projetada. Em alguns casos, espaços planejados para acomodar oito pessoas chegam a abrigar cerca de 40 detentos.

Os internos que tiveram o diagnóstico confirmado para a doença foram transferidos para celas isoladas, onde permanecem durante o período de tratamento. Contudo, o presidente do Sindspen, João Batista Ferreira, alerta que o número de infectados pode ser ainda maior, uma vez que a triagem de saúde de toda a massa carcerária ainda não foi finalizada.

"Precisaríamos verificar todos os dois mil presos. Temos 60 casos confirmados e é possível que novos diagnósticos surjam" , declarou Ferreira. O representante da categoria também manifestou preocupação com a segurança dos agentes penitenciários, destacando que os funcionários não dispõem de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados, o que eleva o risco de contágio durante o exercício de suas funções.

A infectologista Danyenne Rejane de Assis reforça que o ambiente superlotado é um catalisador para a transmissão da tuberculose. Segundo a médica, a aglomeração facilita que um único indivíduo infectado dissemine o bacilo para um grande número de pessoas em um curto intervalo de tempo.

O histórico recente da unidade também preocupa. Em abril deste ano, o detento Cícero Junior Oliveira Dias, de 20 anos, veio a óbito cinco meses após ter sido diagnosticado com a mesma enfermidade.

Além dos riscos internos, a situação levanta alertas para o fluxo de pessoas na unidade. Diariamente, a PCE recebe cerca de 400 visitantes. O diretor de Saúde do Sistema Penitenciário, Ozano Delgado, ressaltou que o risco de transmissão é mais acentuado nos primeiros 15 dias após a infecção. "O período de transmissão da doença é de 15 dias; após este intervalo, ela não é mais passada de uma pessoa para a outra" , explicou.

Por sua vez, o juiz Geraldo Fidelis, titular da Vara de Execuções Penais, ponderou sobre a classificação da situação. Embora reconheça a gravidade, o magistrado afirmou que, tecnicamente, ainda não se pode confirmar a existência de um surto. "Não existe, definitivamente, um surto, mas é necessário ampliar o quadro de médicos para garantir o atendimento adequado a todos os presos" , concluiu.

Fonte: g1.globo.com