Brasil registra menor índice de malária em quase cinco décad
Com a introdução da tafenoquina no SUS, o Brasil alcançou o menor número de casos de malária desde 1978, registrando queda expressiva em mortes e infecções grav
Com a introdução da tafenoquina no SUS, o Brasil alcançou o menor número de casos de malária desde 1978, registrando queda expressiva em mortes e infecções graves.
O Brasil atingiu um marco histórico no combate à malária, registrando em 2025 o menor volume de casos dos últimos 47 anos. Segundo dados oficiais, o país contabilizou 118.037 ocorrências da doença, o que representa uma redução de 15% em comparação ao ano anterior e o patamar mais baixo desde 1978. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), realizado em Brasília.
O impacto na mortalidade também foi significativo. O número de óbitos caiu de 56, em 2024, para 39 no ano passado, uma retração de 30%. Paralelamente, as formas mais severas da enfermidade apresentaram uma queda de 30,7%. O ministro atribuiu esses resultados à estratégia de ampliação do diagnóstico e à oferta qualificada de testes e tratamentos na rede pública.
Um dos pilares dessa mudança é a incorporação da tafenoquina ao Sistema Único de Saúde (SUS). Utilizado em dose única, o medicamento tem sido fundamental para prevenir recaídas e novas manifestações da doença. Desde que foi incluído no protocolo nacional em 2023, o fármaco já foi administrado a mais de 33,7 mil pacientes até junho de 2026, sendo indicado para adultos com 16 anos ou mais e peso superior a 35 quilos.
A eficácia do tratamento é particularmente notável em áreas vulneráveis. Em terras indígenas, assentamentos rurais e regiões amazônicas, houve uma queda superior a 40% nos registros da doença. O Brasil destaca-se como o primeiro país do mundo a adotar a tafenoquina em larga escala. No Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, por exemplo, 1.515 pessoas foram tratadas com a nova medicação.
Padilha ressaltou que a intervenção no território Yanomami foi decisiva para reverter um cenário crítico. Além da estratégia farmacológica, o governo destacou a importância das ações de recuperação nutricional. Como resultado, o território registrou uma redução de mais de 50% nos casos de malária e uma queda superior a 70% nas mortes, interrompendo o que o ministro classificou como um grave quadro de crise humanitária.
A partir de março de 2026, o SUS ampliou o acesso à tafenoquina, disponibilizando uma formulação específica para crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos. Até o mês de junho, 1.446 crianças e adolescentes já haviam sido beneficiados por essa modalidade de tratamento. Dados do Ministério indicam que, entre março e junho de 2026, as recaídas da doença caíram 61,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além da malária, o Ministério da Saúde mantém o alerta para o sarampo. Embora o Brasil tenha mantido o certificado de país livre da doença, foram identificados 38 casos importados em estados como São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. O governo tem intensificado a vacinação, especialmente em cidades como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo, onde a imunização foi aberta para a faixa etária de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal.
O ministro explicou que as cepas identificadas nos casos importados possuem origem na América do Norte, região que enfrenta uma explosão de casos desde 2025. Estados Unidos, Canadá e México são responsáveis por mais de 75% das notificações no continente americano. O Brasil, que chegou a perder o certificado de eliminação do sarampo em 2019, reforça as medidas de controle para garantir a manutenção do status sanitário conquistado em 2024.
Fonte: jornaldematogrosso.com.br