Alvo de operação policial, influenciadora realizou festa de
A influenciadora Natiele Aparecida é investigada por suspeita de integrar esquema de jogos de azar e lavagem de dinheiro que movimentou R$ 28 milhões.
A influenciadora Natiele Aparecida é investigada por suspeita de integrar esquema de jogos de azar e lavagem de dinheiro que movimentou R$ 28 milhões.
A influenciadora digital Natiele Aparecida, que se tornou um dos principais alvos da Operação Engodo Digital , deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (18), ostentou uma vida de luxo incompatível com atividades lícitas, segundo as autoridades. Entre os eventos que chamaram a atenção dos investigadores, destaca-se uma festa avaliada em mais de meio milhão de reais, realizada em um castelo na cidade de Sorriso, para celebrar sua aparição como capa da Revista Sexy em 2024.
De acordo com o inquérito, Natiele é suspeita de desempenhar um papel central em uma organização criminosa voltada à exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O evento de gala, realizado no Castelo Don Joseph — inaugurado em 2023 —, foi custeado integralmente pela investigada e contou com uma decoração luxuosa, incluindo o uso de cerca de 12 mil rosas.
Com um público de 113 mil seguidores em suas redes sociais, a influenciadora frequentemente exibia uma rotina de viagens internacionais e nacionais de alto padrão. Entre os destinos divulgados em suas plataformas estão locais como o Monte Fuji e a Tokyo Disneyland, no Japão, além de passagens por Seul, na Coreia do Sul, e Cancún, no México. No Brasil, ela compartilhava registros de estadias em locais como Fernando de Noronha e Porto de Galinhas.
As investigações apontam que a influenciadora utilizava dois perfis em redes sociais para promover plataformas de apostas não autorizadas. Mesmo na véspera da operação policial, na noite de segunda-feira (17), ela ainda utilizava o Instagram para incentivar seguidores a participarem dos jogos, prometendo lucros imediatos. Além disso, ela mantinha, em parceria com outra investigada, um grupo de WhatsApp para disseminar links e orientações sobre apostas de cota fixa ilegais.
O levantamento financeiro realizado pela polícia identificou uma movimentação atípica de mais de R$ 28 milhões entre 2023 e 2025. Os valores, segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, transitavam por contas de empresas como Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos, sendo rapidamente redistribuídos entre familiares e colaboradores da influenciadora.
Para ocultar a origem ilícita dos recursos, o grupo teria criado diversas empresas e realizado simulações societárias, especialmente em negócios do setor de beleza. Ao todo, a operação cumpriu 56 ordens judiciais, incluindo 14 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias e a retenção de passaportes dos envolvidos.
A ação, determinada pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Sinop, mira dez pessoas físicas e oito empresas suspeitas de integrar a rede criminosa. Além de Sorriso, as diligências se estenderam para São Paulo e São Bernardo do Campo, contando com o apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) paulista e das delegacias regionais de Nova Mutum e Sinop.
As autoridades também analisam uma possível conexão entre os alvos da Operação Engodo Digital e a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano. Naquela ocasião, foram presos nomes como os cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, além do influenciador Chrys Dias. A investigação aponta que uma fintech, que servia como núcleo financeiro para plataformas clandestinas, também foi alvo de medidas cautelares nesta nova fase da operação em Mato Grosso.
Fonte: midianews.com.br