Advogada registra barulho intenso de araras em residência vi
Disputa entre vizinhos em condomínio de Cuiabá escala para medida protetiva após conflitos envolvendo a criação de aves e reclamações sobre animais domésticos.
Um vídeo gravado pela advogada Silvana Alves de Souza, esposa do delegado da Polícia Civil Bruno Abreu Magalhães, expôs o intenso barulho causado por araras mantidas em uma residência vizinha no condomínio residencial Pérola Rara, em Cuiabá. A filmagem foi realizada por volta das 5h30, logo no início da manhã, período em que as aves costumam ser mais ativas, conforme o comportamento natural da espécie quando mantida em ambientes abertos.
A advogada relata que o ruído constante torna o descanso impossível, especialmente durante os fins de semana. Em tom irônico, ela comentou no registro: "Repare na paz justamente de manhã" , evidenciando o desconforto causado pela gritaria das aves logo ao raiar do dia.
O conflito envolve o advogado R.A.O., proprietário da casa onde as araras são criadas, embora ele não resida no local. A situação, que se arrasta por um período de desgaste entre os moradores, culminou em uma disputa judicial. Outros vizinhos também manifestaram insatisfação com o barulho, relatando que, mesmo com a instalação de janelas antirruído, o incômodo persiste.
Por outro lado, o proprietário das araras contesta as reclamações e aponta problemas causados pelos animais de estimação de Silvana e Bruno. Segundo ele, os cachorros do casal utilizam áreas comuns do condomínio para suas necessidades fisiológicas, gerando mau cheiro e transtornos aos demais moradores.
Diante da escalada do atrito, Silvana Alves registrou um boletim de ocorrência e solicitou medidas protetivas contra o vizinho, alegando ter sido alvo de ameaças e agressões. A Justiça acolheu o pedido, estabelecendo que R.A.O. mantenha uma distância mínima de 1 km da advogada.
A decisão judicial também determinou a suspensão do porte de arma do advogado e concedeu à vítima o acesso ao chamado Botão do Pânico . O magistrado fundamentou a medida aplicando um entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Lei Maria da Penha, estendendo sua aplicação para além do contexto doméstico, ao considerar que as agressões possuíam conotação de violência de gênero.
Além disso, o histórico do acusado foi levado em conta pelo juiz, visto que o advogado já havia sido detido anteriormente por ameaçar uma ex-companheira utilizando uma arma de fogo.
Em sua defesa, o advogado acusado declarou ter sido surpreendido pela medida protetiva. Ele sustenta que as desavenças ocorreram apenas no ambiente virtual e que as ofensas proferidas foram uma reação à suposta omissão da administração do condomínio em relação à insalubridade causada pelos dejetos de cães deixados próximo à entrada de sua propriedade.
Fonte: rdnews.com.br