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A prevenção ao feminicídio começa pelo reconhecimento dos si

O combate ao feminicídio passa pela conscientização sobre abusos psicológicos e o resgate da autonomia feminina antes que a violência escale para agressões físicas.

Discutir o feminicídio exige compreender que a violência fatal é, frequentemente, o desfecho de um processo que se inicia muito antes do ato extremo. O ciclo de abuso costuma ser mascarado por comportamentos que, sob uma falsa aparência de zelo, escondem o controle, o ciúme possessivo, a desqualificação verbal, o isolamento social e a erosão gradual da liberdade individual. É fundamental reiterar que a responsabilidade por qualquer agressão recai exclusivamente sobre o autor do crime, jamais sobre a mulher que a sofre.

Apesar da responsabilidade ser do agressor, o autoconhecimento surge como uma ferramenta estratégica de prevenção. Através de práticas terapêuticas, como a Constelação Familiar e técnicas de percepção energética, é possível auxiliar mulheres a examinarem suas trajetórias, identificando padrões emocionais e comportamentos que, por vezes, foram normalizados ao longo de suas vidas. O objetivo não é apontar culpados, mas ampliar a consciência para que a mulher consiga enxergar dinâmicas que aprendeu a ignorar.

Uma mulher que compreende seus próprios limites torna-se mais apta a identificar quando eles são desrespeitados. Ao reconhecer o próprio valor, ela passa a entender que um relacionamento saudável não deve ser pautado pelo medo, pela submissão ou pela anulação de si mesma. Nesse contexto, a feminilidade é ressignificada não como sinônimo de fragilidade, mas como a capacidade de honrar a própria essência, sensibilidade, força e desejos.

Muitas vezes, o corpo emite sinais de alerta antes mesmo da mente processar o perigo. O desconforto diante de uma atitude do parceiro, a apreensão ao contrariá-lo, a necessidade de pedir permissão para atividades cotidianas ou a vigilância sobre o uso do telefone, vestimentas e finanças são indícios claros de um relacionamento abusivo. É importante destacar que um vínculo saudável admite conflitos, mas é sustentado pelo respeito mútuo, pelo diálogo e pela preservação da individualidade de ambos.

As abordagens terapêuticas focam nesse reencontro da mulher com sua própria identidade. A Constelação Familiar, por exemplo, permite analisar vínculos e padrões ancestrais que influenciam a forma como os indivíduos se relacionam. Embora essas práticas não substituam a rede de proteção estatal, o sistema judiciário ou o suporte especializado — essenciais para mulheres em situação de risco —, o autoconhecimento oferece um suporte psicológico valioso para que a mulher não se abandone em prol da permanência em uma relação tóxica.

É urgente desconstruir a ideia de que a violência só existe quando há agressão física. Humilhações, ameaças, chantagens, manipulações e perseguições são formas graves de abuso. Frequentemente, o ciclo começa com o que parece ser cuidado, evolui para a vigilância, transforma o ciúme em posse e a opinião em imposição, culminando na perda da identidade da vítima.

Prevenir, portanto, envolve educar para o reconhecimento do valor pessoal e para a busca de auxílio imediato ao notar que algo está em desequilíbrio. Oferecer ferramentas para que a mulher identifique sinais de perigo não significa transferir a ela a culpa pela violência, mas sim capacitá-la a se escutar. O reencontro com a própria feminilidade ocorre quando se compreende que o amor não pode ser confundido com medo ou controle.

Olhar para dentro é um ato de respeito próprio. Saber identificar que uma situação não é saudável e ter a coragem de afirmar que não se deve permanecer onde a própria identidade é suprimida são passos cruciais para romper ciclos de violência. A conscientização é o caminho para evitar que o silêncio se torne a única resposta diante de um relacionamento que deixa de ser um encontro para se tornar uma prisão.

Por Camila Bernal Barreto, mãe atípica, consteladora familiar, mestre em Sistema Arcturiano e em Shamballa, e funcionária pública.

Fonte: rdnews.com.br